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CRN9 Entrevista: Marina Moreno Wardi – nutricionista e mestre em educação em diabetes

14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes. É uma data, criada pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) e Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a população sobre o aumento dos diagnósticos da doença no mundo.

Atualmente, são mais de 415 milhões pessoas no mundo vivendo com o diabetes. Um a cada 11 adultos possui a doença e a projeção é que esse número aumente para 10 nos próximos anos. Para falar sobre esse assunto importante e esclarecer alguns mitos e verdades, conversamos com a nutricionista e mestre em educação em diabetes, Marina Moreno Wardi. Ela também é diretora secretária do CRN9. Confira a entrevista:

O que é diabetes?

“Diabetes são doenças metabólicas que se caracterizam pelo aumento da hiperglicemia, a elevação de glicose no sangue. Pode ser provocada pelo defeito da ação da insulina ou da secreção da mesma no organismo”.

Quais são os principais sintomas?

“Geralmente, identificamos cansaço, sede, aumento do apetite, emagrecimento e urina aumentada como os sintomas mais recorrentes. Em algumas situações, é importante destacar que pode haver aumento de peso”.

Quais são os tipos de diabetes?

“Existe o Tipo 1 – quando há a incapacidade progressiva de produção de insulina, isto é, a pessoa não produz o hormônio por um defeito genético no pâncreas.  É mais comum na infância e adolescência.

O Tipo 2 se caracteriza pelo mau funcionamento ou diminuição da produção de insulina nas células. Alguns medicamentos podem favorecer a absorção deste hormônio e melhorar a atuação dos receptores no organismo.

Também é importante destacar o Diabetes gestacional, quando ocorre a alteração na glicemia da mulher no período da gravidez”.

Quais são os fatores geradores da doença?

“O mais comum é o fator genético, tanto para o Tipo 1 quanto para Tipo 2.  No entanto, os hábitos de vida e a síndrome metabólica são elementos influenciadores e que precisam ser considerados quando falamos sobre a doença”.

Como deve ser feito o tratamento?

“Para falar sobre tratamento, é preciso conhecer o quadro do paciente, pois cada caso é diferente um do outro. Por exemplo, se o indivíduo está com a glicose alterada, é importante realizar acompanhamento pelo médico e pelo nutricionista, para realizar o controle da glicemia.

Caso a doença já esteja diagnosticada, é fundamental realizar um acompanhamento multiprofissional com o médico endocrinologista, o nutricionista, o psicólogo, o educador físico e/ou o enfermeiro”.

Quais sãos os mitos mais comuns sobre diabetes em relação à Nutrição?

“Um deles diz respeito ao consumo de açúcar, pois os alimentos doces não necessariamente podem provocar a doença. Outro mito antigo se relaciona aos alimentos debaixo da terra, como batata, cenoura e beterraba e de que estes não podem ser consumidos por pessoas com diabetes. Isso é mentira.

Outro mito comum é a obrigatoriedade do uso do adoçante para pessoas com a doença. Não é obrigatório, mas pode ser interessante em alguns casos para reduzir a quantidade de açúcar ingerida.

A utilização de chás para reduzir a glicemia, como quiabo, berinjela e pata de vaca é comprovada cientificamente, portanto, é outro mito sobre o diabetes”.

Qual é o papel do nutricionista na prevenção e tratamento desta doença?

“O nutricionista é essencial na prevenção e tratamento da doença, pois a alimentação pode estar ligada diretamente às complicações do diabetes e também pode atuar na prevenção, quando a pessoa possui hábitos alimentares saudáveis. A orientação feita por este profissional também contribui o consumo de alimentos que não provoquem o aumento da glicose do indivíduo”.

Quais mudanças de hábitos devem ser feitas após o diagnóstico do diabetes?

“Falando sob a ótica da Nutrição, é importante que a pessoa tenha horários regulares para a alimentação. Outra alteração importante é o uso de alimentos integrais, de frutas, verduras e cereais integrais, ricos em fibras. Estes têm um papel muito positivo na resposta glicêmica.

Além disso, não extrapolar o consumo de carboidratos refinados, como excesso de massas e doces é muito importante. Outra alteração fundamental é o controle das gorduras que estão presentes nos alimentos, pois isso pode acarretar no aumento do colesterol e triglicérides, que estão ligados indiretamente ao descontrole do diabetes”.

Quais são as dificuldades enfrentadas pelo (a) paciente ao ser diagnosticado com diabetes?

“A não aceitação é um primeiro desafio, além do uso dos medicamentos de forma correta em um primeiro momento. Às vezes, se o paciente é diagnosticado em uma idade mais avançada, a mudança de hábito é mais complexa. A alteração da rotina e do estilo de vida e o medo das complicações são muito comuns no início do diagnóstico. Existe um receio também em relação ao uso da insulina”.

Qual é a importância do (a) paciente aceitar a doença?

“Ao entender o diagnóstico, a pessoa perceberá que a sua alimentação poderá ser a mesma de um indivíduo saudável. A partir daí, começa a quebrar tabus, a desmistificar conceitos e percebe que não precisa ter medo quando cuida da saúde. Além do acompanhamento, medicamentos e de se alimentar bem, atividade física é primordial. Esse olhar multiprofissional faz a diferença, pois reduz as chances de futuras complicações”.

A alimentação inadequada é um fator determinante para o aumento dos diagnósticos apontados nas projeções feitas?

“Mesmo com a melhoria da qualidade de vida e algumas alterações nos hábitos alimentares dos brasileiros, observamos ainda um consumo alto de alimentos refinados e bebidas processadas adicionadas de açúcar. É como se fosse uma pirâmide invertida, pois o que deveria estar na base, como frutas e verduras, é transferido para o topo, enquanto proteínas, gordura e doces são ingeridos excessivamente”.