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Novas diretrizes sobre pressão arterial: tudo o que você precisa saber

Você sabia que a Sociedade Americana de Cardiologia lançou em novembro as novas diretrizes sobre a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)? Estas novas orientações geram mudanças no diagnóstico e tratamento do paciente.

Com a nova classificação, a pressão arterial passa a ser definida da seguinte maneira:

  • Normal : quando PAS (sistólica) < 120mmHg + PAD  (Diastólica) < 80mmHg;
  • Elevada: quando PAS estiver entre 120 e 129mmHg + PAD entre 80 e 89mmHg
  • Estágio 1: quando PAS estiver entre 130 e 139mmHg ou PAD entre 80-89mmHg
  • Estágio 2: quando PAS estiver acima ou igual a 140mmHg ou PAD acima ou igual a 90mmHg

O que é a HAS?

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma doença poligênica e multifatorial, que pode causar as seguintes complicações no organismo:  Acidente Vascular Cerebral (AVC), Doença Arterial Coronariana, Insuficiência Cardíaca, Insuficiência Renal Crônica e Doença Vascular de Extremidades.

A partir desses novos valores para as diretrizes da pressão arterial, houve uma elevação na prevalência da HAS de 32% para 46%: ou seja, uma doença que afeta quase metade da população mundial. De acordo com o médico e diretor executivo do Instituto Avançado do Coração, Felipe Prado, é preciso adotar uma nova rotina para o diagnóstico da hipertensão. “Para fins diagnósticos, a pressão arterial deve ser medida 2 a 3 vezes, em 2 a 3 ocasiões distintas. Se for utilizada a auto-medida ou a medida de outros profissionais, um checklist com 6 passos deve ser seguido, além de ser utilizado equipamento validado. Entretanto, o método ideal e que melhor se correlaciona com eventos é a Monitoramento Ambulatorial da Pressão Arterial de 24 horas”, explica Felipe.

Nutrição e hipertensão: tudo a ver

Quais são os fatores de risco para a hipertensão? São eles: hábitos dietéticos inadequados como o alto consumo de sódio e bebidas alcoólicas, aumento do índice de massa corpórea, obesidade, sedentarismo, tabagismo, além de aspectos socioeconômicos e genéticos. Ao realizar o atendimento ao paciente, o nutricionista deve estar atento para mapear todas as possíveis causas da doença e realizar uma avaliação ampla.

 Para a nutricionista Elisabeth Chiari, é fundamental realizar uma anamnese alimentar completa, avaliando a freqüência, a quantidade e a qualidade dos alimentos consumidos assim como intolerâncias e alergias alimentares. Também é importante avaliar a interação entre alimentos/nutrientes e medicamentos e realizar avaliação clínica detalhada do paciente. “Durante a avaliação antropométrica, é importante frisar o cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC), a aferição da Circunferência da cintura (CC) e da Relação da Cintura e Quadril (C/Q), onde os parâmetros preconizados são: IMC – Sobrepeso 25 < IMC <30 Kg/m² e Obesidade > 30 Kg/m²; Mulheres: C=88 cm e C/Q = 0,85 e Homens: C=102 cm e C/Q = 0,95”, aponta Elisabeth, que também atua no Instituto Avançado do Coração.

Diagnóstico e estratégias

Nutricionista Elisabeth Chiari

Para prescrever o plano alimentar, o nutricionista deve realizar o diagnóstico nutricional baseado em sua anamnese alimentar, clínica, bioquímica e antropométrica, com ensinamentos que possibilitem preparações alimentares saborosas, práticas e saudáveis.

Estratégias como leitura dos rótulos alimentares, diferenciação entre alimentos diet e/ou light, avaliação do teor de sódio existente nos alimentos processados e substituições alimentares devem ser utilizadas para o tratamento da doença.

Mesmo com as mudanças nas diretrizes da pressão arterial, o emprego da dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) continua sendo estimulada. “Essa dieta valoriza o consumo de frutas, verduras, alimentos integrais, leite desnatado e derivados, consumo controlado de café e bebidas alcoólicas, quantidade reduzida de gorduras saturadas e colesterol, maior quantidade de fibras, potássio, cálcio e magnésio. Tal prescrição também é associada à redução no consumo de sal (recomendação de sódio: 2.000 mg de sódio ou 5 g de sal). A prescrição de flavonóide também deve fazer parte da rotina do nutricionista, pois com o consumo desses elementos, há diminuição dos níveis pressóricos, melhora da função endotelial, diminui a resistência a insulínica e os níveis séricos de lipídeos”, aponta Elisabeth.

Exames e medicações

Após as alterações nas diretrizes, os exames essenciais para avaliar hipertensão continuam praticamente os mesmos: glicemia, perfil lipídico (colesterol e triglicérides) hemograma, creatinina, sódio, potássio, cálcio, TSH, sumário de urina e ECG (Eletrocardiograma). É opcional solicitar o ecocardiograma, ácido úrico e relação albumina / creatinina.

Em relação à medicação, a HAS estágio 1 só deve ser medicada para a prevenção secundária (após evento cardiovascular) ou quando o risco cardiovascular estimado em 10 anos for maior que 10%.  “A HAS estágio 2 deve ser sempre medicada após confirmada em uma reavaliação após 1 mês, exceto se a pressão arterial inicial for superior ou igual a 180x110mmHg (deve ser prontamente medicada)”, explica o médico Felipe.

Mudança de hábito: o melhor remédio

A estratégia terapêutica deverá ser individualizada de acordo com a estratificação de risco e a meta do nível de pressão arterial a ser alcançado proposto pelo cardiologista. Preconizam-se mudanças dos hábitos alimentares e do estilo de vida (tratamento não-medicamentoso) para todos os pacientes, independentemente do risco cardiovascular.

Para que essas mudanças sejam realmente alcançadas e eficazes, Elisabeth destaca a necessidade de intervenções em todos os setores da sociedade (público, particular e científico). “Por meio de medidas educativas e contínuas, objetivando incorporar os diversos níveis de ações na rotina da população, a conscientização da prevenção deve ser prioritária. Não menos importante, o tratamento multiprofissional deve funcionar em todos os setores da saúde”, argumenta a nutricionista.

Texto elaborado pela nutricionista Elisabeth Chiari e pelo médico Felipe Prado

Edição: Assessoria de Comunicação CRN9