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Programa Mundial de Alimentos, da ONU, é o Prêmio Nobel da Paz de 2020

O combate à fome é listado pelas Organizações da Nações Unidas como luta importante para a construção de um futuro melhor e por isso figura entre os principais Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da organização.

E mais que incentivar e orientar os países a promover ações contra esse grave problema global, ONU também desenvolve ações próprias para o combate à fome e acaba de ser premiada com um Nobel por isso.

O Comitê Nobel da Noruega revelou na sexta-feira, 9 de outubro, que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) é o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2020. O pronunciamento oficial foi apresentado em Oslo pela presidente do comitê, Berit Reiss-Andersen.

A agência da ONU foi reconhecida pelo esforço no combate à fome e pela atuação para prevenir que a fome seja usada como arma de guerra em regiões marcadas por conflitos armados, além da mobilização em combate à pandemia. Segundo Reiss-Andersen, a atuação do PMA proporcionou a criação de bases para a paz em nações onde ocorrem guerras.

António Guterres (atrás) e David Beasley (primeiro plano) em assentamento de refugiados no Uganda. Foto: ONU/Mark Garten

A premiação foi recebida com muita alegria. O secretário-geral da ONU, António Guterres, ressaltou o esforço dos trabalhadores do programa, que, segundo ele, “enfrentam o perigo e a distância para entregar sustento que salva vidas a pessoas com vidas arrasadas por conflitos e desastres, crianças e famílias que não sabem de onde vem sua próxima refeição“.

Ao reagir à premiação, o diretor-executivo do PMA, David Beasley, também deu destaque ao esforço individual de cada componente do programa. Em publicação no twitter, dedicou o reconhecimento “à família do PMA, que estão nos lugares mais complicados do planeta, onde existe guerra, conflitos, extremos climáticos, não importa, eles estão lá e merecem este prêmio.

O Programa Mundial de Alimentos foi criado em 1961 e hoje tem mais de 17 mil funcionários, sendo a maior organização do mundo no combate à fome. O programa sobrevive com contribuições voluntárias dos Estados-membros da ONU e do público em geral.

Em 2019, quase 100 milhões beneficiários tiveram ajuda do programa em 88 países, que alcançou vítimas de insegurança alimentar aguda e fome. Recentemente o órgão tem se esforçado para atuar em situações onde a combinação de conflito e da pandemia aumentou o número de pessoas que estão na iminência da fome.

Com o prêmio, o comitê do Nobel ressalta a ligação entre conflitos armados e a fome e coloca holofote em um dos principais agentes que lutam contra esse problema. Ainda, realça que, mesmo diante da pandemia, o Programa Mundial de Alimentos demonstrou “uma capacidade impressionante” de intensificar seus esforços.