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CRN-9 e Comissão de Saúde da ALMG debatem sobre o uso da IA na Nutrição

Como parte das atividades do Dia do Nutricionista, ocorreu na última quarta-feira (10/9) uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para debater os desafios e oportunidades do uso da inteligência artificial (IA) na Nutrição. O deputado Lucas Lasmar, requerente da audiência, propôs ao encerramento a elaboração de um documento conjunto ao CRN-9 em apoio à regulamentação da tecnologia em âmbito federal.

 

CRN-9 destaca ética e formação crítica

 

Representando o CRN-9, compuseram a mesa a conselheira Beatriz de Carvalho, a supervisora da Fiscalização Jordana Jorge e a nutricionista assistente técnica Laís Resende.

Beatriz de Carvalho abriu as falas reforçando o compromisso do Conselho com o tema e pontuou que o grande desafio está na formação crítica das novas gerações: “Um desafio importante, não só para a nutrição, mas para toda a sociedade, é termos uma formação que propicie uma visão crítica, reflexiva sobre o uso dessas ferramentas”.

A conselheira também chamou atenção para a ética no exercício profissional: “o exercício da profissão em todas as áreas deve ser pautado na ética profissional também ao usarmos essas novas ferramentas, lembrando sempre que o grande objetivo é a saúde da população, o bem-estar da sociedade”.

 

Aplicação de IA na Nutrição e riscos éticos 

 

A mestre em Nutrição pela Universidade de São Paulo (USP), Marcia Pinheiro, destacou que a profissão vai além do cálculo de dietas. Segundo ela, envolve múltiplas variáveis para promover saúde integral. “A inteligência artificial fornece informações padronizadas, mas não traz humanidade nem escuta ativa, fundamentais para mudanças no estilo de vida”, afirmou.

Laís Resende apresentou dados de pesquisas recentes, incluindo estudos internacionais sobre o uso da IA na nutrição. “Com a inteligência artificial hoje é possível uma boa organização e resultados ótimos”, afirmou, ao explicar como a tecnologia auxilia na análise de múltiplos dados. Segundo ela, a IA permite cruzar informações genéticas, microbioma e dados clínicos, viabilizando diagnósticos individualizados, na nutrição de precisão: “cruzar todas essas informações para um ser humano é difícil, mas para a máquina não”.

A nutricionista, contudo, alertou para os riscos do uso indiscriminado da tecnologia. Relatou o caso de um paciente nos Estados Unidos que apresentou um quadro grave após seguir recomendação equivocada de uma IA e também destacou as preocupações com a privacidade: “Para onde vão esses dados? Esses dados podem ser utilizados de forma indiscriminada e antiética”. 

Outro risco apontado foi a desigualdade de acesso: “Quem tem dinheiro vai procurar um profissional de saúde, vai acessar a saúde de qualidade. E a pessoa que não tem dinheiro, muitas vezes recorre somente à tecnologia que é gratuita, mas insuficiente”.

Concluindo sua fala, Laís Resende defendeu a regulamentação da IA na saúde, citando uma publicação da Associação Americana de Nutrição Parenteral e Enteral (Aspen): “a inteligência artificial não regulamentada pode prejudicar a saúde”.

 

“Nutricionista é insubstituível”

 

Encerrando a participação do CRN-9, Jordana Jorge reforçou a insubstituibilidade do nutricionista: “a inteligência artificial não substitui o atendimento do nutricionista com o paciente/cliente/usuário, ao estabelecer um vínculo, empatia, conexão, raciocínio clínico, criatividade e adaptabilidade a um plano alimentar”.

A supervisora também ressaltou o papel do conselho na orientação da sociedade: “precisamos alertar a população, como Conselho de Nutrição, aos riscos do uso indiscriminado sem orientação profissional e ao mesmo tempo, fiscalizar e orientar os profissionais na utilização da ferramenta com ética, responsabilidade e respaldo técnico-científico”.

 

Parlamentar apoia regulação da IA

 

O deputado Lucas Lasmar destacou que a IA pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal e defendeu o uso consciente e complementar dessas ferramentas na Nutrição.

Entre os principais riscos de planos alimentares gerados por IA, apontou: carências nutricionais, desconsideração de doenças, alergias e fatores individuais, promoção de dietas da moda e risco de transtornos alimentares.

Entre os bons exemplos de aplicação, citou: organização de grandes volumes de dados, pesquisa de alimentos e produtos, e auxílio no planejamento de cardápios e tarefas.

Ao final de sua fala, o deputado propôs a elaboração de um documento, em conjunto com o CRN-9, em defesa da regulamentação da tecnologia em âmbito federal.

 

Chamamento à categoria

 

A presença dos nutricionistas nesses encontros é fundamental. Cada voz fortalece o debate e ajuda a construir uma regulamentação que proteja a sociedade, valorize a profissão e assegure o uso responsável da inteligência artificial. A participação efetiva dos profissionais é o caminho para garantir que as decisões reflitam a realidade do trabalho em Nutrição e mantenham o compromisso com a saúde da população.

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