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CRN-9 entrevista coordenadora da elaboração do importante “Instrutivo de Abordagem Coletiva para Manejo da Obesidade no SUS”

Um importantíssimo instrumento para a saúde coletiva nacional foi lançado na última quinta-feira, dia 23 de setembro: o “Instrutivo de Abordagem Coletiva para Manejo da Obesidade no SUS”. O material — elaborado pelo Grupo de Pesquisa de Intervenções em Nutrição da Universidade Federal de Minas Gerais (GIN/UFMG) e a Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde (CGAN/DEPROS/SAPS/MS) — tem como  objetivo apoiar  gestores e trabalhadores do SUS, e contribuir para a promoção da saúde e o cuidado da pessoa com obesidade no Brasil.

Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil, mais da metade da população adulta apresenta excesso de peso e dois em cada dez adultos possui obesidade.  Além de causar sofrimento psicológico devido ao estigma e a discriminação, ela se associa ao desenvolvimento de complicações metabólicas que aumentam o risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, incluindo as cardiovasculares, diabetes mellitus e certos tipos de câncer.

O Instrutivo, que conta com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/Brasil) e do Ministério da Saúde, propõe uma abordagem teórico-prática para a condução de grupos com usuários com obesidade no SUS, incluindo roteiros com descrição detalhada das atividades presenciais e não presenciais apresentadas em um “Caderno de Atividades Educativas”. Além disso, compõe essa série um “Material Teórico para Suporte ao manejo da Obesidade no Sistema Único de Saúde”, que visa apresentar aos profissionais de saúde diferentes referenciais teóricos e ferramentas que podem ser utilizadas no manejo da obesidade no Sistema Único de Saúde.

A Unidade de Comunicação do CRN-9 (UCOM CRN-9) conversou com a coordenadora da elaboração do instrutivo, a professora do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, Aline Cristine Souza Lopes. Confira a seguir:

UCOM CRN-9 — Como foi o processo de construção do material?

Aline Lopes — Tudo iniciou-se com uma proposta que fizemos ao Ministério da Saúde para trabalhar a linha de cuidados da obesidade, desde a promoção da alimentação saudável, até a abordagem individual dos casos mais graves. Fizemos uma proposta em 2016, no ano seguinte iniciamos os trabalhos, com a preocupação, sempre de embasar em evidências científicas de alta qualidade e também, na escuta e avaliação dos serviços.

UCOM CRN-9 — Quais foram os passos práticos?

Aline Lopes — Primeiro, foi feita a revisão sistemática da literatura, pra identificar quais as intervenções eram exitosas para a redução do peso corporal, inclusive publicamos um artigo sobre isso. Em seguida, fizemos uma análise da estrutura e do processo de cuidado da atenção primária brasileira pros indivíduos com obesidade, a partir dos dados do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB). Conduzimos também uma pesquisa com profissionais da atenção primária e especializada de todo o país para escutar quais são os desafios que eles vivenciam no cotidiano de trabalho para cuidar dessas pessoas com obesidade. Por fim, fizemos uma revisão de teorias de mudanças de comportamento e de ferramentas aplicáveis aos SUS, pois queríamos embasar nestas também, além das evidências científicas. Outros instrumentos nos quais nos embasamos foram o Guia Alimentar para a População Brasileira, o Marco de Referência para a Educação Alimentar e Nutricional e também o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas para Pessoas Adultas com Sobrepeso e Obesidade e o Caderno de Atenção Básica. A partir de todo este estudo, propusemos o instrutivo, que foi validado em oficinas com expertises tanto da área de gestão quanto de profissionais da ponta e pesquisadores de todo o país.

UCOM CRN-9 — Quais são os principais objetivos do instrutivo?

Aline Lopes — Os objetivos são:

  • Contribuir para construção de metodologias inovadoras para o manejo da obesidade no SUS pautadas no trabalho interdisciplinar e intersetorial, factíveis e mais efetivas;
  • Disponibilizar atividades educativas participativas e esteticamente atrativas que considerem a prontidão de mudança para redução do peso corporal;
  • Apoiar os profissionais de saúde no manejo da obesidade;
  • Estimular o protagonismo dos/as usuários/as no cuidado de sua saúde.

UCOM CRN-9 — Ao seu ver, o que o material pode possibilitar para o cuidado com os pacientes com  sobrepeso e obesidade?

Aline Lopes — Destaco alguns pontos:

  • Ter uma estratégia de manejo da obesidade que considere a Linha de Cuidado
  • Agregar abordagens coletiva e individual para o manejo da obesidade
  • Seu uso para além da Atenção Primária à Saúde (APS) e Atenção Especializada (AE)
  • Adaptação para a realidade local

UCOM CRN-9 — Gostaria de destacar algum ponto do Instrutivo?

Aline Lopes — Um ponto crucial do mesmo é que ele parte da realidade do usuário ao considerar a sua prontidão de mudança, pois nem todos estão prontos para fazer mudanças para redução do peso corporal. Então, o Instrutivo trabalha para identificar esta prontidão de mudança, considera a gravidade da condição, o interesse da pessoa em participar do grupo e o tempo para tanto. A partir disso, propomos diferentes abordagens coletivas para atender tanto os que não estão prontos para reduzir peso mas que precisam ser motivados a identificar a obesidade como um problema a ser tratado, quanto aqueles que já tem prontidão de mudança.

Outro diferencial muito importante também é a manutenção de um grupo para manter os ganhos obtidos e alcançar novos ganhos. Afinal, hoje, um dos grandes problemas que temos é o re-ganho de peso. Esse grupo auxilia na manutenção e favorece o empoderamento e autonomia para manter a redução em longos prazos.

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• PÓS-GRADUAÇÃO: Comprovante de matrícula da pós-graduação e declaração com a descrição das atividades desempenhadas, assinada eletronicamente pelo orientador ou com carimbo da instituição;

• OUTROS: Qualquer outro documento que comprove que não está exercendo a profissão de nutricionista.